segunda-feira, 24 de junho de 2013

Que a democracia sobrepuje a intolerância e a barbárie

Por Lula Miranda


Eu era também um jovem insurrecto na década de 1980 quando cunhei a frase-emblema que viria a servir como estandarte do movimento estudantil na minha universidade: QUE A POESIA SOBREPUJE A MEDIOCRIDADE. Agora, eis que se impõe uma nova palavra de ordem: Que a Democracia sobrepuje a intolerância e a barbárie.


A intolerância, a violência e a baderna, enfim a barbárie não pode nos desviar dos caminhos da utopia. Todo esse lixo, que infelizmente ainda carregamos em nossa bagagem, tem a tonta pretensão de arruinar a nossa dedicada semeadura, desencaminhar o nosso destino inadiável de construir um Brasil mais justo para todos os brasileiros e assim sepultar os nossos sonhos. Estamos no caminho certo. Não podemos cair na cilada pantanosa dos desvios e descaminhos que tenta nos impor a direita.

Os jovens brasileiros de hoje tomaram as ruas e lograram fazer o que várias gerações de jovens antes deles não conseguiram: dobrar o poder instituído. Essa é uma vitória que devemos todos louvar e celebrar, e a partir dela construir novas vitórias. Mas não podemos nos esquecer de que outras gerações de jovens, inúmeros, prepararam e adubaram o terreno com suor e sangue, para que resultasse nessa viçosa colheita - que não podemos, em absoluto, destruir, arruinar.

E é em nome e louvor desses jovens, do passado e do presente, verdadeiros mártires e heróis da pátria, muitos anônimos e desaparecidos, autênticos baluartes do civismo, que faço essa minha louvação: Que a Democracia sobrepuje a intolerância e a barbárie.

Bem sabemos, lá no fundo, que a nossa natureza primal embute bestial violência e agressividade, que nos esforçamos em domar através da educação para a civilidade, para a vida em comunidade e na busca do bem comum. Submetemos, pois, a barbárie à civilização. Dobremo-la, pois. 

Vivemos hoje as dores e delícias da Democracia. Na ditadura, tínhamos medo; hoje, o louvável e necessário destemor, mas que muitas vezes se confunde com petulância e esta, por sua vez, com a arrogância, que por vezes descamba para a vil intolerância e violência.

Devemos, portanto, celebrar a Democracia! E muitos, creio que a maioria, saíram às ruas nesse espírito. Qual seja: de protestando, gritando, empunhando bandeiras demonstrar a sua insatisfação. E assim reivindicar (e conseguir) melhorias no transporte, na segurança e na educação públicos desse país; clamar por uma nova e maiúscula Política.

Equivocam-se os que, autoritários e intolerantes, acham que podemos prescindir dos políticos e dos partidos. Podemos até prescindir da maior parte dos políticos e dos partidos que aí estão, mas necessitamos de modo fundamental da Política, dos políticos, dos sindicatos e dos partidos.

Enganam-se os que pensam que construiremos a nossa utopia sem os alicerces edificados até então. Sem fundamentos, embora não saibamos ou sequer nos demos conta, somos meros “João-bobo”, meros balões de ensaio coloridos que farão a festa e a alegria dos reacionários.

Na nossa ainda longa caminhada rumo a nossa irmanada utopia precisamos de líderes e de uma mínima organização e disciplina; precisamos de uma pauta e não somente de palavras de ordem – por mais justas e valorosas que estas sejam.

Ingênuos são os que se deixam guiar por um mascarado anônimo, que aparece no Youtube ditando suas pautas e cagando regras. Quem ou o quê está por detrás daquela máscara?! Não se sabe. Já haviam pensado nisso? Por detrás daquela fantasia bem urdida podem se revelar interesses mascarados, escusos. Não podemos nos deixar enganar por fantasias, por heróis de ocasião e mascarados. Não devemos ter vergonha de mostra a nossa cara. Temos uma História, um passado a honrar e um futuro a construir!

Sigamos em frente. Marchemos juntos na sociedade, não somente nas ruas! Sim, vamos mudar o país!

Vamos mudar a Política e os políticos! Vamos debater e discutir uma reforma política, por exemplo. Sim, pois a troca de ideias e opiniões é a essência e fundamento da Democracia. Não é a sua opinião e vontade tão somente, ou a opinião de um determinado grupo, tampouco a minha, do prefeito, do governador ou mesmo da Presidente da República que ditará a “verdade” e os nossos rumos, mas sim a opinião e desejos da maioria. É através do consenso que construiremos o novo Brasil. Jamais através da violência e da opressão.

Portanto, tiremos em caráter definitivo a violência, a intolerância e a barbárie das ruas de nossas cidades e, principalmente, de dentro de nós.

Vivamos a Democracia, sem temores ou violência - e em toda a sua plenitude. 


Vivamos e construamos, juntos, esse novo Brasil.

Lula Miranda é economista e escreve para sites como Carta Maior e Observatório da Imprensa.

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